Posse dos Vereadores de Curitiba PDF Imprimir E-mail
Senhoras, senhores, autoridades presentes, amigos e familiares e colegas vereadores:

Hoje é um dia de festa! Festa da democracia que é a institucionalização da liberdade! Que é o regime que tem como base os direitos fundamentais do homem. Que nos possibilita eleger nossos representantes, pelo voto.

No respeito à vontade da maioria, protegemos o direito das minorias.

Na democracia, as eleições devem ser livres e justas e devem prezar pela liberdade de expressão, religião, proteção legal igual com a oportunidade do cidadão de organizar e participar plenamente da vida política, econômica e cultural da sociedade.

A democracia coloca os governos sob o estado de direito e assegura que todos os cidadãos recebam a mesma proteção legal e que seus direitos sejam protegidos pelo sistema judiciário.

Os cidadãos numa democracia não tem apenas direitos, tem também o dever de participar no sistema político, que por outro lado, protege suas liberdades. O voto é uma conquista e não uma obrigação.

As sociedades democráticas estão empenhadas nos valores da tolerância, da cooperação e do compromisso. Chegar a um consenso exige compromisso!

No brasil, as câmaras municipais constituíram o primeiro núcleo de exercício político no brasil-colônia. Foram vitais para a manutenção do poder de portugal sobre a colônia e foram vitais também quando da independência de portugal no apoio ao novo imperador.
A primeira eleição para vereador ocorreu em 1532 na vila de são vicente. Foi a primeira câmara das américas. Martim afonso atribuiu a câmara vicentina a competência para discutir problemas como arruamento, limpeza, construções, ordem pública, divisão e posse de terras, decretar a criação de novas vilas, arraiais e convocar juntas para discutir e deliberar sobre os negócios da capitania.

Historicamente, a figura do edil aparece em portugal, como assistente dos juizes, que por suas atribuições assemelhavam-se aos “aediles”, o antigo magistrado romano que cuidava da salubridade, da desobstrução de vias públicas, da inspeção e conservação dos edifícios públicos do abastecimento e que, vigiando o preço do trigo, os pesos e as medidas, protegia os compradores contra fraudes. Era um vigilante protegendo o interesse do povo.

A palavra “vereador” etimologicamente vem do verbo “verear” que significa a pessoa que “vereia”, sendo aquela que tem como obrigação zelar pelo interesse dos munícipes e suas necessidades, através da elaboração de normas, leis e solicitações.

Por isso, o antigo “edile” romano podia editar regulamentos depois chamados de “posturas” e hoje de leis municipais.

Desde o período colonial até a república, as câmaras municipais encaminharam nosso povo àquilo que hoje entendemos por democracia num estado de direito.
Essa destinação de nosso legislativo municipal com certeza foi traçada por algo superior a regimes e ideologias, tanto que encontramos no artigo 167 da constituição imperial algo que se repete até hoje e oxalá os netos de nossos netos possam usufruir: ou seja, sempre por eleição em todas as cidades e vilas ora existentes e nas mais que no futuro se criarem, haverá câmaras municipais, as quais se destinam funções de harmonia e trabalho, na magnitude da vereança.


“a política traduz a natureza contraditória dos homens e, se eles pudessem viver naturalmente em harmonia, o poder político seria supérfluo; mas, se a concórdia fosse contra a natureza, a comunidade política seria impossível”. Pois a política é a conciliação no interesse da maioria, respeitando os direitos da minoria.

Com o texto de francis wollf analisamos o papel do vereador na sociedade moderna, de conciliação; e o papel que cabe a nós de influir sobre coisas que nos afetam direta e imediatamente, coisas que repercutem a todo momento, na qualidade de vida de nossas famílias e da comunidade em geral.

Em parceria com o prefeito, o vereador zela pelo lugar onde moramos, pela vizinhança, pelo bairro, pelos caminhos que precisamos utilizar no ir e vir da rotina diária. Encarna assim a vontade do povo no seu nível mais sensível e essencial, como verdadeiro alicerce do estado democrático de direito.
A câmara municipal configura as células iniciais de toda a estrutura política moldadas nas lutas de nosso povo.



Nas atas de nossa antiga câmara municipal temos a história da evolução política da cidade e do país, com passagens de emoção e respeito, com preciosidades dos desbravadores que partindo do litoral fundaram cidades e alargaram as fronteiras do brasil.

Partimos do pressuposto de que todos nós temos uma causa comum: a construção de uma cidade e de um país mais cidadão, igualitário e produtivo no qual as gerações futuras possam ter uma vida melhor.

O futuro se faz todos os dias, num processo permanente.

Portanto, hoje, que tomamos posse no honroso cargo de vereadores da cidade, cargo que a população nos delegou, como representantes do povo de nossa querida cidade de curitiba, vamos trabalhar juntos, discutindo e pensando temas como desenvolvimento econômico, preservação ambiental mediante uso de tecnologias limpas, e parcimônia no emprego de recursos naturais, planejamento urbano, desenvolvimento social, participação na formulação de políticas públicas e valorização da diversidade cultural, que são as cinco dimensões da sustentabilidade.

Ricardo monteagudo, em seu livro “a concepção do legislador em jean jacques rousseau diz:

“o legislador representa o mais alto grau de compreensão de um corpo social a respeito de si mesmo e por isso está além dos conflitos envolvidos e expressam a realidade do interesse comum”.



Colegas vereadores:

-    Que sejamos fiéis à metrópole competitiva e solidária com planejamento urbano ligado ao planejamento estratégico, onde possamos habitar – trabalhar – locomover-se e cultivar o corpo e o espírito.


-    Que possamos cada vez mais trazer o olhar feminino para a política, com a maior participação das mulheres para se criar uma outra dimensão verdadeira entre homens e mulheres.

-    Que possamos cantar o jardim não pelas folhas que tombaram, mas pelas flores que nele se abriram.

-    Que possamos cantar o dia pela suas horas de ouro e não pelas que falharam.

-    Que possamos cantar a noite pelas estrelas...

-    E a vida não pelos riscos e perigos que nela se encerram,

mas pelas vitórias que deus nos deus!


Feliz ano novo a todos e que deus nos abençoe!

Obrigada.


Discurso proferido em 1º de janeiro de 2009 pela vereadora Julieta Reis por ocasião para solenidade de posse dos vereadores eleitos em 2008.